Vendas do comércio de Ribeirão Preto caem pelo décimo mês consecutivo

Foto: Rafael Viana
Foto: Rafael Viana

Mesmo negativo, o índice ainda reflete uma pequena recuperação em relação à série dos últimos três meses

As vendas do comércio de Ribeirão Preto tiveram redução de -4,71% em outubro de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, o mesmo índice revela uma leve desaceleração da queda quando comparado com os percentuais registrados em agosto e setembro, meses em que as vendas caíram -5,24% e -6,88%, respectivamente. É o que aponta a pesquisa Movimento do Comércio, realizada mensalmente pelo SINCOVARP – Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região.

“Foi o menor percentual de queda desde agosto, na comparação com o mesmo período de 2014. Pode ser um sinal de que o momento mais agudo da crise esteja ficando para traz. Não há mal que sempre dure”, diz Marcelo Bosi Rodrigues, economista do SINCOVARP e responsável pela pesquisa.

Entre as empresas entrevistadas, 77,1% consideraram que as vendas de outubro de 2015 foram piores que as do mesmo mês do ano passado, enquanto 16,6% tiveram percepção positiva e 6,3% declararam que os dois períodos apresentaram volume de vendas equivalentes.

Setorial –O pior desempenho de vendas, em outubro, foi apresentado pelo setor de Eletrodomésticos (-9,50%), seguido por Tecidos/Enxoval (-6,70%), Vestuário (-6,45%), Livraria/Papelaria (-5,10%), Calçados (-3,97%), Cine/Foto (-3,68%), Presentes (-3,07%), Móveis (-2,75%) e Ótica (-1,16%). Nenhum setor registrou aumento médio de vendas.

Emprego – Em outubro, a pesquisa apurou uma queda média de -0,35% no volume de postos de trabalho no comércio de Ribeirão Preto. Entre as empresas entrevistadas, 91,7% mantiveram os postos de trabalho, enquanto 4,2% delas demitiram e 4,1% contrataram durante o mês. O percentual, embora negativo, ficou muito próximo da estabilidade, o que contribui para a expectativa de que, nos próximos meses, ocorram contratações de trabalhadores temporários. Entre os setores, o de Ótica e o de Presentes,reduziram seus quadros em-5,56% e -0,30%, respectivamente. Com aumento no número de funcionários, em outubro, ficou o segmento de Livraria/Papelaria (+2,70%).

Análise – Segundo Rodrigues, mesmo com essa leve recuperação das vendas, em Ribeirão Preto, as perspectivas sobre a economia permanecem sombrias. “Para que uma avaliação mais positiva ocorra é preciso que o governo demonstre capacidade de tomar atitudes no sentido de aprovar reformas que reduzam o tamanho do estado, melhorem o ambiente empresarial e moralizem o ambiente político. Nem mesmo o judiciário parece ter a sensibilidade para perceber que não é mais possível esperar que o Estado seja capaz de sustentar uma enormidade de deferências e mordomias”, afirma.

Ainda segundo o economista, o mundo mudou e se tornou mais austero. “Se continuarmos a tentar manter um Estado como o nosso, com peso de nobreza, nunca seremos competitivos internacionalmente e acabaremos por decretar o fim das empresas do nosso país e, com isso, o fim do emprego, pois são elas, e não o governo, que empregam a população. É preciso coragem e firmeza para realizar as reformas que o país precisa, caso contrário vamos continuar como caranguejo, andando de lado. Por hora, só o que podemos perceber é a incrível capacidade do brasileiro de se adaptar a situações adversas para conseguir sobreviver, apesar do governo”, conclui.

Fonte: Núcleo da Notícia

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