Reflexão Semanal com Pe. Gilberto Kasper

ESPERANÇA E MISERICÓRDIA DE MÃOS DADAS EM 2016!

Por: Pe.Gilberto Kasper

Aparentemente as três cidades: Mariana, Paris e Belém não têm muito em comum. Entretanto, os acontecimentos recentes nos permitem olhar a realidade e o mundo a partir da situação dramática em que elas se encontram. O desrespeito pela natureza, o descaso para com o ser humano, a ganância sem medida e a doença incurável do fanatismo fazem com que o mal surja com um efeito devastador e cruel a ponto de perturbar a serenidade e cordialidade exigidas para uma convivência respeitosa no mundo.

 

Descrito como um dragão feroz pelo autor do livro do Apocalipse, o mal e suas feições assustam, aterroriza, matam inocentes, destroem cidades, arrasam o meio ambiente e envenenam nosso recurso mais útil e santo: a água! O mal se organiza motivado por interesses egoístas e de vingança somados ao desrespeito pelos que são ou pensam diferente de tais interesses maus. Dentre os maus desejos destaco dois que considero mais mortíferos: a ganância e a intolerância que é a mãe do fanatismo.

 

Em Paris aconteceu recentemente a Conferencia sobre o clima e as discussões sobre aquecimento global, emissão de gazes e preservação de recursos naturais tocam de leve na questão da poluição do ar movida a dólares de países ricos que se sentem donos do que não lhes pertence. E poluem com gases tóxicos, economia degradante e indústria de armas, para citar alguns fatores que sujam o mundo. A mesma Paris sofreu um ataque terrorista em novembro que matou gente sem culpa; terroristas fanatizados mataram pelo simples e irracional desejo intolerante de matar os que julgam infiéis. A pessoa humana nasce livre e nada pode prejudicar essa liberdade. É inaceitável matar em nome de religião.

 

Em Mariana, a tragédia ambiental arrasou comunidades, natureza, ceifou vidas cheias de sonho, apagou uma parte da história e tudo isso por causa de uma barragem de resíduos de minério que se rompeu e o povo das redondezas foi inundado por um mar de lama. A companhia mineradora que devia cuidar de evitar desastres, lucra muito dinheiro com o minério que revende, mas não cuida dos que vivem em torno da barragem. Tal desastre poderia ter sido evitado se a ganância não prejudicasse a defesa e o respeito para com a vida humana. Foi um atentado terrorista contra a natureza e contra as pessoas. Quando o dinheiro fala mais alto, a vida humana perece.

 

Apesar de toda essa tragédia e desgraça, a lição de esperança vem da cidadezinha de Belém da Judéia de onde brota sem cessar a certeza que Deus caminha conosco. Da pequenina cidade de Belém surge a esperança de vida nova para a humanidade. Jesus nasce e ilumina o mundo com a Paz que Ele nos traz. A noite do seu nascimento iluminou a treva do mundo que hoje a violência, o terrorismo e o fanatismo tentam sufocar.

 

Ainda hoje, “o povo que caminha nas trevas” do medo, da insegurança e da inimizade, verá “uma grande Luz”! O Príncipe da Paz vem ao nosso encontro no Natal que celebramos; vem reanimar nossa alegria, nossa fé e nosso amor. Jesus vem renovar em nós a esperança que nos permite sonhar, que nos leva a crer e nos provoca a amar como Ele nos ensinou. Apesar do mal e suas feições assustarem o mundo hoje, nós o venceremos praticando o bem e o amor. Não precisamos de armas e bombas para reafirmar nossa fé. O sinal da Cruz é o sinal mais forte para explicar como o amor vence o mal: entregando a vida, doando a própria vida em favor dos irmãos e irmãs, nossos semelhantes.

 

O mundo não se renovará com violência, arma, ira e ódio, mas sim com o amor, o perdão, a fraternidade e a misericórdia. Enquanto houver quem reze, ame e perdoe a esperança não se apaga. Esperança e Misericórdia de mãos dadas em 2016 é o que desejamos a todos!

 

Fonte: Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu (SP).

Foto: Rafael Viana
Foto: Rafael Viana

Pe. Gilberto Kasper
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Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

 

 

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