Reflexão Semanal com o Pe. Gilberto Kasper

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

DÉCIMO OITAVO DOMINGO COMUM

Imagem Arquivo Divulgação / Pe. Gilberto Kasper
Imagem Arquivo Divulgação / Pe. Gilberto Kasper

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

 

Ouvindo a boa nova do Reino de Deus relatada por Lucas caminhamos com Jesus rumo à Jerusalém. Nessa caminhada, fazemos de novo uma parada para nos reunirmos em assembléia litúrgica. Celebramos a páscoa cristã, dia do Senhor, dia da Comunidade. Como seria salutar para a humanidade, resgatar o valor do Domingo, o Dia do Senhor. Guardar o Domingo para o Senhor, para o descanso pessoal e para a Família, talvez seja um exercício que resgate a dignidade humana, engolida pela Cultura do Consumo, do Descartável, que por sua vez, leva a humanidade à ganância, ao egoísmo, ao intimismo, enfim, à Cultura da Morte em plena vida.

Hoje para celebrar a raiz de nossa fé cristã – a morte e ressurreição do Senhor Jesus – a Palavra nos traz à consciência o que é fundamental para que nossa vida, de fato, tenha sentido.

“Vaidade das Vaidades”, recorda-nos o autor sagrado. Contra a vaidade e a ganância, a palavra de Deus nos convida a voltar o coração para as coisas do alto, onde está Cristo, nossa vida e riqueza.

O que é ilusão e vaidade, e em que realmente vale a pena se empenhar? A ganância, fruto do egoísmo, um dia levará os gananciosos a julgamento. Buscar as coisas do alto é buscar o que está de acordo com o projeto de Jesus.

Depositamos no altar do Senhor o dom da vida dos padres que presidem para nós as santas Missas e a de todos os vocacionados ao ministério ordenado.

Os bens materiais seduzem com muita facilidade o coração das pessoas. A verdadeira riqueza, segundo Jesus, é ser generoso com os demais, como o Pai é com todos. Por confiança nas riquezas é falta de bom-senso, falta de sabedoria. Quem põe o coração no dinheiro tem pouca consideração para com a vida humana, mergulha-a no mais absoluto fracasso. De fato, a experiência nos diz: quem se fecha em si mesmo e em seus bens, em seu mundo, perde o melhor de sua vida.

Quem é materialista e só quer conhecer os prazeres deste mundo, para este o ensinamento de Jesus é indigesto, mas nem por isso deixa de ser verdade. Não levamos nada daqui. As riquezas materiais não têm valor duradouro, nem podem ser o fim ao qual o homem se dedica. Talvez o consumismo de hoje tenha isso de bom: lembra-nos essa precariedade. O produto que compramos hoje amanhã já saiu da moda, e depois de amanhã nem haverá mais peças de reposição para consertá-lo. Nossa nova TV estará fora de moda antes que tivermos completado as prestações… Por outro lado, esse consumismo é grosseira injustiça, pois gastamos em uma geração os recursos das gerações futuras. Se as coisas valem tão pouco, melhor seria não as comprar, e voltar a uma vida mais simples e mais desprendida. Haverá recessão econômica, mas também haveria menos necessidade de dinheiro para ser gasto.

A caça à riqueza material é um beco sem saída. A razão por que se insiste em produzir sempre mais é que os donos do mundo lucram com a produção, sobretudo das coisas supérfluas que enchem as prateleiras das lojas. Para vender esses supérfluos, criam nas pessoas a necessidade de possuí-las, mediante a publicidade na rua, no jornal e na televisão. Quando então as pessoas não conseguem adquirir todas essas coisas, ficam irrequietas; quando conseguem, ficam enjoadas; e em alguns casos aparece mais uma necessidade: a psicoterapia…

A sabedoria do lucro é injusta e assassina. Leva as pessoas a desconsiderar os fracos. Um proeminente político deste país disse que quem não pode competir não deve consumir… O sistema do lucro e do desejo sempre mais acirrado, precisa manter as desigualdades, pois parte do pressuposto que todos querem superar a todos. Tal sistema é intrinsecamente pecaminoso, disseram os Papas Beato Paulo VI e São João Paulo II.

Ser rico, não para si, mas para Deus… Não amontoar riquezas que na hora do juízo serão as testemunhas da nossa avareza, injustiça e exploração (cf. Tg 5,1-6), mas riquezas que constituam a alegria de Deus!

Não adianta muito discutir se a produção tem que ser capitalista ou socialista, enquanto não se tem claro que o ser humano não existe para a produção, e sim a produção para o ser humano. E este, se for sábio, tentará precisar dela o menos possível.

No sábado desta semana, dia 6 de agosto, celebraremos a festa da Transfiguração do Senhor, muito concorrida em nosso País, e conhecida como Senhor Bom Jesus, com inúmeros títulos, especialmente em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto: Bom Jesus do Bonfim, da Lapa, da Alvorada, da Cana Verde e outros. Já dia 04 de agosto, celebrando a Memória de São João Maria Vianney, agradeceremos o dom da vocação de nossos bons e esmerados Presbíteros! É o Dia do Padre!

Sejamos todos agraciados e abençoados, com esta devoção e a festa que nos permite “uma espiadinha no céu”, juntamente com Pedro, Tiago e João que subiram ao Tabor com Jesus! Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,

 

Pe. Gilberto kasper

(Ler Ecl 1,2; 2,21-23; Sl 89(90); Cl 3,1-5.9-11 e Lc 12,13-21).

 

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Julho de 2016, pp. 93-95 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum I (Julho de 2016), pp. 76-82.

 

 

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