Reflexão Semanal com o Pe. Gilberto Kasper

Foto: Rafael Viana / Ribeirão Web News
Foto: Rafael Viana / Ribeirão Web News

O ano novo surgiu como uma criança que chega quietinha, não fazendo barulho para não despertar a atenção das pessoas que estão desoladas, decepcionadas, cansadas e esgotadas por tanta crise herdada do ano que se foi.

 

Ao mesmo tempo em que o sentimento de fracasso nos assombra, não podemos ficar reclamando do que já passou, pois um novo ano nos é dado para que não repitamos os erros do que se foi. Porém, é preciso viver o novo ano sem requentar promessas velhas. As simpatias, desejos, promessas só se transformam em realidade quando assumimos atitudes responsáveis de mudança a partir de nós mesmos. O sonho é bonito somente quando sonhamos; ao acordar, a realidade tem outra coloração.

A meu ver, o ano novo será um bom teste para nossa responsabilidade coletiva porque as transformações necessárias acontecerão, se todos tomarem consciência de que vivemos numa casa que é de todos. A responsabilidade e o cuidado com a “nossa casa”, a natureza, a cidade, o ambiente é um “problema nosso” que precisa ser assumido por todos. A Campanha da Fraternidade deste ano aborda o tema do Saneamento básico que é prioritário para a vida saudável do nosso povo. Não basta dar um remedinho para dor de barriga, se a água que chega à casa das famílias não for tratada; não basta asfaltar as ruas, canalizar córregos, construir bueiros sem tratar o esgoto que contamina os terrenos; não adianta descobrir a vacina contra a dengue se não cuidarmos responsavelmente do lixo que produzimos. Eis um “mega” desafio para nós no ano novo. Vamos cobrar através de atitudes sérias que “constroem” uma nova postura e nos faz perceber que o “bem” só é “bem” se for “bem para todos”.

Outro desafio se dará nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Será novamente uma prova de fogo para o nosso Brasil que deseja conquistar medalhas, mas que patina na educação, está quase sem saúde e tem dificuldades com a segurança. Espero estar muito enganado, mas o que se vê de incentivo ao esporte no “País do Futebol”? Parece que se incentiva a formação de jogadores para se tornarem “escravos” dos empresários, das marcas de material esportivo alimentando a ideia de redenção ao se transferir para o exterior e ganhar dinheiro, muito dinheiro. Todos têm direito a crescer, ganhar, ser feliz. Contudo, esporte sem o incentivo para a escola pública enfraquece a formação fundamental de líderes que tomarão nas mãos o destino da nação. Os estádios da copa do mundo consumiram o dinheiro que está faltando na saúde pública do País; a construção da Vila Olímpica consome os recursos necessários para escolas e saneamento básico…

 

E tem mais desafio e responsabilidade, pois escolheremos prefeitos e vereadores de nossas cidades. Aqui também se requer “olhos bem abertos” visto que uma escolha mal feita é responsável por um desastre trágico. As eleições não são momento de lavar as mãos e depois os eleitos que se danem.

A Política é um conjunto que envolve todas as pessoas desde os que votam aos que assumem o cargo público e que devem respostas ao povo que os escolheu. Uma escolha ruim pode arruinar o que já não anda bem.

 

 

Foto: Rafael Viana
Foto: Rafael Viana

Pe. Gilberto Kasper
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Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Presidente do FAC – Fraterno Auxílio Cristão e Jornalista.

 

 

 

Fonte: Pe. João Paulo Ferreira Ielo, Pároco da Paróquia Imaculada Conceição de Mogi Guaçu – SP.

 

 

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