O Comentário inteligente sobre os Fatos da Cidade

Ultimamente, o que vemos nos noticiários, nas rodas de conversas, nos assuntos mais comentados são temas que nos deixam desanimados. Diariamente escutamos as notas sobre violência contra as pessoas e contra a natureza, a corrupção que está longe de acabar, o terrorismo que abusa do sadismo, a mentira deslavada de políticos ilusionistas que vivem de enganar o povo. E perguntamos até quando vai isso tudo?

Parece que o mal, ou os males de nossa sociedade é decorrência dos vícios que acumulamos ao longo dos séculos, os “jeitinhos”, os golpes de esperteza, as facilidades em burlar as leis que facilitam a vida dos espertos e criam uma série de prejuízos para o conjunto da comunidade. Quantos vícios precisam ser corrigidos! E como estão grudados na vida das pessoas!

 

De manhãzinha, indo para a missa, acompanhei os valorosos varredores da rua que lutavam com uma quase infinita paciência para ajuntar os copinhos vazios que ficaram jogados no chão da praça; outro grupo ajuntava papeis de embrulho dos lanches consumidos perto de um cesto de lixo, mas foram deixados sobre o banco da praça… e garrafas, resto de cigarros… um lixo a céu aberto na praça mais antiga da cidade! O pior é ouvir alguém que diz: “não tem jeito mesmo”, ou “sempre foi assim”, ou ainda “não dá nada não”! E fica por isso mesmo. Penso que o mais cruel é justificar esse comportamento acomodado e pessimista que aceita a baderna e a justifica.

 

Do exemplo anterior podemos ampliar o olhar para as outras situações no mundo, no país. Ficamos acomodados esperando uma solução cair não sei de onde. Não basta só a indignação com os abusos que acontecem por aí. É necessário agir para não nos acomodarmos aos vícios herdados de gerações e que se cristalizam como o único modo de viver. Muito se pode fazer; é preciso, é urgente que nos convertamos a um modo saudável de vida no qual o “bem” prevaleça sobre os maus costumes e aos vícios.

Hábitos saudáveis em casa, usando as palavras mágicas: “por favor”, “desculpa” e “obrigado”; hábitos saudáveis ao dar preferência ao idoso e não ocupar a sua vaga no estacionamento; hábitos saudáveis em não ficar buzinando na rua cheio de pressa e mau humor; hábitos saudáveis ao abaixar o volume daquele som horroroso e alto que parece uma pancada de torturador; hábitos saudáveis de respeitar o pensamento discordante do nosso; hábitos saudáveis de acolher a pessoa que errou e deseja uma oportunidade para mudar. Hábitos saudáveis na hora de escolher nossos representantes políticos e preferir os que têm ficha limpa e tem história de vida que comprove o seu discurso.

 

E, um hábito mais que saudável é cuidar da natureza, preservar matas e nascentes de água, as margens dos rios para que, o jardim criado por Deus pensando em nosso benefício jamais se transforme em lixo e fumaça. Ajunte-se a esse, o hábito essencialmente saudável de buscar a Deus, de reconhecer o seu amor e nos tornarmos servidores desse amor no serviço generoso aos nossos irmãos.

 

Eis um itinerário a ser percorrido; extenso, porém muito saudável, afinal “caminhamos na estrada de Jesus”.

(Texto em parceria com o Pe. João Paulo Ferreira Ielo de Mogi Guaçu – SP)

 

Foto: Rafael Viana
Foto: Rafael Viana

Pe. Gilberto Kasper
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Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente na Associação Faculdade de Ribeirão Preto do Grupo Educacional da UNIESP, Assistente Eclesiástico do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista

 

 

 

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