Jornalistas detidos na Venezuela já estão no Brasil

Reportagem: Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
Vetor: Freepik.com
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Os jornalistas Leandro Stoliar e Gilson de Oliveira, da TV Record, que haviam sido detidos no último sábado (11) no Norte da Venezuela, chegaram ao Brasil às 5h50 de hoje (13). A equipe foi detida pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), juntamente com dois ativistas venezuelanos, José Urbina e María Jose Túa, da organização não governamental (ONG) Transparência Venezuela, enquanto investigava denúncias de suborno por parte da construtora Odebrech.

A TV Record informou, na manhã de hoje, nas redes sociais, que os jornalistas desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. De acordo com a emissora, eles foram presos “durante gravações para uma série de reportagens especiais para o Jornal da Record sobre denúncias de corrupção envolvendo financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que favoreciam empreiteiras brasileiras, inclusive a Odebrecht, citada nas investigações da Operação Lava Jato”.

Atentado à liberdade de expressão

Em nota divulgada no fim da tarde de hoje, a emissora disse que os jornalistas ficaram “quase 36 horas sob custódia de policiais e militares do Sebin, que confiscaram equipamentos, câmera, computador e celulares” de seus profissionais. “A Record repudia de forma veemente esse tipo de violência que atenta contra a liberdade de expressão e tenta controlar o acesso à informação. Estratégia de regimes que desprezam a democracia e os direitos humanos.”

A emissora agradeceu o apoio das autoridades brasileiras, diplomatas, advogados e representantes de entidades do país vizinho, como a Transparência Venezuela e o Sindicato dos Jornalistas Venezuelanos.

Apesar do ocorrido, a Record TV disse que a investigação conduzida em vários países sobre os desvios em obras internacionais financiadas com recursos do BNDES prosseguirá e as reportagens serão exibidas, em breve, numa série especial no Jornal da Record.

Em nota, a Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (Fenaert) considerou “inaceitável qualquer ato ou manifestação que impeça ou tente impedir que os profissionais da imprensa exerçam suas atividades, dentro ou fora do Brasil”.

Segundo a Fenaert, a prisão dos jornalistas Stoliar e Oliveira é um “gravíssimo atentado ao livre exercício da imprensa, deve ser apurado com o rigor que merece e acompanhado pelas autoridades brasileiras”.

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