Inflação nos supermercados é a menor desde março de 2014

Informações : Phábrica de Ideias

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O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS/FIPE, apresentou queda de 1,23% em fevereiro. Em 12 meses, a alta nos preços dos supermercados atingiu 4,28% e, em comparação com 2016, a inflação em 12 meses naquele mês foi de 11,98%, o que demonstra a persistente queda ao longo do ano passado. No acumulado do ano, a inflação caiu 1,04%.

Segundo Rodrigo Mariano, gerente de Economia e Pesquisa da APAS, a inflação em 12 meses, em fevereiro, é a menor desde março de 2014, quando foi registrada alta de 3,39%.

O economista da APAS explicou também que a variação de 1,23% em fevereiro é a menor mensal desde junho de 2006 (1,42%) e a menor variação para o mês de fevereiro desde o ano de 2000 (1,35%). Portanto, há 17 anos a inflação para fevereiro não apresentava tal redução.

“Um cenário econômico desfavorável, com queda de emprego e renda, favorece preços mais moderados e contribui para uma inflação menor. Aliado a isto, a maior oferta de diversos produtos, principalmente os agrícolas, pelo clima favorável às mais diversas safras e culturas, contribui para uma inflação mais comportada neste início de 2017”, afirma Mariano.

A queda nos preços constatada em fevereiro esteve relacionada, principalmente, à queda nos preços dos semielaborados (carnes, leite e cereais), com queda de 2,43%, e nos preços dos produtos In Natura que caíram 1,66%.

A baixa nos preços dos semielaborados tem relação direta com a queda nos preços da carne bovina (2,58%), das aves (4,60%) e dos cereais (6,98%). Nos cereais, o destaque é a queda de 17,73% no preço do feijão, em fevereiro, e de 1,62% no preço do arroz.

Os preços dos produtos In Natura caíram 1,66%, com destaque para as frutas (4,72%). Como exemplo, temos a queda de preços do limão (14,45%) e da banana (8,38%). Nos legumes, a baixa foi de 2,95%. Os destaques são o tomate (14,61%) e o pepino (13,41%). Nos tubérculos, que caíram (4,93%), destaque para a cebola (19,25%).

Os produtos industrializados apresentaram ligeira queda com variação de -0,44%, relacionada ao aumento nos preços de derivados de leite (1,57%), diante da adequação da produção que é natural nesta época do ano, já que a oferta é alta, o que proporciona preços mais moderados e até a redução em alguns momentos.

A queda nos preços de doces (1,03%) está relacionada à redução nos preços médios dos sorvetes (2,45%) e representa mais um ajuste de oferta e demanda, do que fatores relevantes na disponibilidade destes itens.

Os preços das bebidas alcoólicas caíram em fevereiro, com variação de 0,77%, reflexo da queda do preço da cerveja em 1,07%. As bebidas não alcoólicas caíram 0,56%, diante da queda, principalmente, nos preços de refrigerante (0,27%).

Os preços dos produtos de limpeza caíram 2,23%, diante da diminuição nos preços do sabão em pó (4,25%). Já os artigos de higiene e beleza apontaram queda de 1,07%, impactados pelos preços do sabonete (1,59%).

Na avaliação desde a criação do Plano Real, em 1994, o IPS/APAS apresenta variação acumulada de 217,29%, já o IPCA/IBGE (Brasil) tem alta de 461,03%, o IPC-FIPE tem aumento de 348,46%, enquanto o IPA/FGV tem variação de 646,21%.

“A evolução dos preços ao longo dos anos aponta uma elevação mais moderada no setor supermercadista, diante de sua característica de concorrência, as quais os ganhos de eficiência e produtividade, aliados às constantes negociações junto à indústria, possibilitam preços mais competitivos para serem ofertas aos consumidores”.

Expectativas
Segundo os dados do IPS, a inflação para 2017 está projetada em 6%, considerando que no primeiro semestre deste ano haverá uma desaceleração expressiva em diversos itens. Entre junho e julho, por exemplo, alguns preços devem apresentar elevação, principalmente das frutas, legumes e verduras. O leite também tende a subir nesta época do ano, diante da entressafra.

Rodrigo Mariano explicou ainda que o último trimestre de 2017 deve registrar, na margem, alguma alta nos preços, diante da base de comparação com o último trimestre de 2016, o que pode aumentar a inflação em 12 meses, em dezembro de 2017.

Por fim, Mariano ressalta que, ao final de 2017, há a expectativa de melhora no mercado de trabalho e emprego, “Os preços se manterão mais comportados quando comparados a 2016, contribuindo para a retomada do poder de compra da população, com reflexos positivos nas vendas, para o comércio e para a atividade econômica como um todo”, finaliza.

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