Fatores que movimentam a economia seguem em queda

Nova queda do Produto Interno Bruto (PIB), retração no consumo das famílias, baixa confiança dos empresários, queda de investimentos e aumento do desemprego são alguns dos fatores que contribuem para a permanência da atual crise econômica brasileira. Segundo o Boletim Conjuntura Econômica do Ceper/Fundace, a expectativa é de que o cenário continue o mesmo ao longo de 2016.

Vetor: freepik.com
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A tendência de retração da economia brasileira foi confirmada com a divulgação do PIB pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) na primeira semana de março. De acordo com os pesquisadores, a queda de 5,9% no quarto trimestre de 2015 em relação ao mesmo período de 2014, e de 1,4% na comparação com o trimestre anterior é o reflexo de uma economia desacelerada.

Pelo quarto trimestre consecutivo, o consumo das famílias apresentou retração de 6,8%. Houve também queda de investimentos, explicada pela baixa confiança do empresariado devido à instabilidade política, ao cenário de deterioração fiscal e à inflação de 10,60%.

Na evolução do PIB por setor, apenas a Agropecuária apresentou aumento (2,9%) no quarto trimestre de 2015.

O boletim destaca que notícias ruins da política e economia ajudaram a agravar as expectativas. O último boletim Focus de 2015 indicava uma expectativa de 6,87% (na mediana) para o IPCA 2016, com um cenário pessimista de 8,50% de inflação naquela época. Entretanto, o boletim Focus de 4 de março mostra que a expectativa piorou, passando a mediana para 7,59% e o cenário pessimista com 9,0% de inflação.

Em relação ao PIB para 2016, a previsão mediana divulgada no final de 2015 era de queda de 2,90%, enquanto a atual previsão mediana chega a -3,50%. No pior dos cenários, o crescimento esperado para 2016 é de -4,62%, comparado com o de -4,30% feito no final de 2015.

O resultado primário (diferença entre receitas e despesas primárias do governo), outro indicador importante, também apresentou piora. No final de 2015, a previsão do Boletim Focus era de déficit de -0,95% do PIB. Atualmente, a previsão chegou a -1,35%. A previsão mais pessimista manteve-se em 2%. Em contrapartida, a taxa Selic apresentava uma mediana de 15,25% e caiu para 14%.

Desemprego – O Boletim Conjuntura Econômica faz uma análise de novembro de 2011 a janeiro de 2016 e mostra que o setor de serviços teve redução de 1,3 milhão de empregos, sendo o que mais desempregou no período. O setor de comércio teve uma queda de 600 mil empregos, valor próximo ao setor de construção civil. Já o setor industrial teve 800 mil demissões e deve manter o caminho de queda para os próximos meses. O único setor que esboçou uma pequena reação foi o agropecuário, que terminou com saldo zero.

De acordo com os pesquisadores, o aumento das taxas de desemprego reduz o nível de consumo e agrava a recessão já existente, o que impossibilita uma recuperação do PIB no curto prazo. Os pesquisadores concluem no boletim que “a expectativa de crescimento para o biênio 2015-2016 é negativa, uma das piores da história”.

 

Fonte: OPA Assessoria em Comunicação

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