Exposição em São Paulo apresenta diversidade cultural brasileira

Reportagem: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

Vetor: Freepik
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Uma roda de capoeira abriu, na manhã de hoje (25), a exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro A Celebração Viva da Cultura dos Povos, na Caixa Cultural, no centro da capital paulista, que fica em cartaz até o dia 20 de setembro.

A exposição apresenta 37 bens culturais brasileiros registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tais como o acarajé baiano (reconhecido em 2005), a cajuína do Piauí (em 2014), os toques de sinos de Minas Gerais (2009) e a manifestação maranhense do Bumba meu boi (2011). A própria capoeira, que abriu a exposição e mistura arte marcial, jogo, dança, música e esporte, também foi reconhecida e registrada como patrimônio cultural brasileiro em 2008 e integra a exposição com objetos como o berimbau e o agogô.

A capoeira é também reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio cultural imaterial da humanidade, assim como outros quatro patrimônios apresentados na exposição: o samba de roda do Recôncavo Baiano; a arte Kusiwa, de pintura corporal e arte gráfica dos índios Wajãpi; o frevo recifense; e o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém (PA).

Como representantes de São Paulo estão presentes duas formas de expressão: o jongo [que integra percussão de tambores, dança coletiva e práticas de magia e que é praticado não só em São Paulo, como também no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e  no Espírito Santo] e o fandango caiçara [conjunto de práticas de divertimento, música, dança e expressões poéticas encontrado no litoral paulista e paranaense).
“Essa exposição apresenta os últimos 37 bens que foram registrados pelo Iphan ao longo de 14 anos de trabalho. São objetos, imagens, vídeos e textos que mostram esse universo da cultura brasileira”, disse Fernanda Pereira, uma das idealizadoras da exposição, em entrevista àAgência Brasil. “Quisemos criar um ambiente de comunhão, de roda, tudo integrado. Ela [a exposição] tem muita cor, muita música e vídeos em cada ilha”, acrescentou.

Na primeira edição da mostra, feita em 2014, no Rio de Janeiro, foram apresentados 30 patrimônios culturais. Mas como se trata de uma exposição dinâmica e viva, novos patrimônios são sempre acrescentados à mostra assim que novos patrimônios são catalogados pelo Iphan.

Os 37 patrimônios imateriais brasileiros são constituídos por formas de expressão, celebrações, modos de fazer e lugares que representam a identidade e a diversidade cultural do povo.

“Sempre trabalhamos com as demandas das próprias comunidades. Então, são elas que solicitam esse reconhecimento ao Iphan. O reconhecimento, que chamamos de registro, é sempre coletivo, reconhecendo o patrimônio que é compartilhado pelas comunidades e que faz parte da identidade de determinados grupos”, explicou Monia Luciana Silvestrin, coordenadora geral de identificação e registro do Iphan.

Segundo ela, esse processo pode demorar entre um e quatro anos para ser registrado já que são feitos uma pesquisa de campo, documentação e até um parecer técnico para serem submetidos ao Conselho Consultivo do Iphan, instância máxima constituída por representantes da sociedade civil que delibera se aquela prática cultural reúne a qualidade necessária para ser considerada um patrimônio.

“Quando chega no nível federal, são bens culturais que entendemos que tem uma representatividade nacional, que pode ser pela amplitude, como a capoeira, que tem no Brasil todo, ou pela representatividade, como a arte Kusiwa, que se entende que é tão específica e peculiar que entra por ser representativa da diversidade cultural brasileira. Estes são os dois pontos principais de referência”, explicou Monia Silvestrin.

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