EAD – Maioria dos alunos não tem internet fixa ou meios de Acesso

Reportagem: Gilberto Costa / Rafael Viana

Foto: Rafael Viana

Um em cada três estudantes (33,5%) que tentaram vaga no curso superior, nos últimos cinco anos, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não tem acesso à internet e a dispositivos, como computador ou celular, que permitam, por exemplo, aprender por meio de educação a distância (EAD).

Em tempos da pandemia de covid-19, recursos de teleaula em aplicativos fornecidos por faculdades têm sido estratégicos para manter o semestre letivo e viabilizar a aprendizagem.

 

Pedro Balerine, diretor da Plataforma Quero Bolsa, disse que os dados dessa pesquisa são colhidos antes do ingresso universitário, mas assinala que “se um terço dos egressos [do nível médio] não dispõe dos meios necessários para a EAD, é improvável que esse número caia a zero quando esses alunos entrarem na faculdade.”

Conforme o especialista, “as instituições precisam se preocupar com esse assunto, senão correrão o risco de lidar com evasão e baixo desempenho acadêmico”. Para ele, “as instituições de ensino superior, principalmente aquelas que ficam em regiões mais pobres ou remotas, precisam ficar atentas ao fato de que possivelmente uma boa parte” dos alunos e corpo docente “não tem infraestrutura doméstica adequada para o aprendizado a distância, então a migração intempestiva para o EAD em tempos de covid-19 pode vir com alguns riscos”.

 

O EAD ainda é uma grande porta para o acesso aos estudos, segundo especialista, “não invalida nem tira o mérito do EAD, que de fato veio para ficar e cujo crescimento é inegável”, opina. “[A] EAD tem tido um papel importante em combater a desigualdade, pois além de baratear muito os cursos – tornando-o, assim, acessível para mais gente -, ele traz uma novidade ao setor, que é o uso intensivo de inovação tecnológica e recursos tecnológicos para personalizar a experiência de aprendizado do aluno e garantir resultados melhores”, reforça Pedro Balerine.

“O Brasil é um país bastante heterogêneo e desigual”, ressalta o diretor da plataforma quero bolsa. “Muitos estados têm amplo acesso a dispositivos eletrônicos (computadores e celulares) e internet, mas em vários outros, nem tanto. Isso é fruto principalmente da desigualdade de renda e, em menor grau, da infraestrutura de telecomunicações limitada no interior de vários estados.”

 

 

 

 

 

Fonte: EBC

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