A 14ª Feira Nacional do Livro Chegou ao seu Final

Editorial

Por Tadeu Donizete

 

14_feira_do_livro_2014_21Logo que a viatura entrou no estacionamento o manobrista já falou “Se for para o teatro nem precisa entrar, pois lá já está lotado e os convites acabaram a mais de duas horas”. Falei de imediato que iriamos sim ao teatro e não tem problema porque somos da imprensa e olhei para a explanada vi uma fila encaracolada enorme de pessoas devidamente aguardando a abertura, tranquila, sem nenhum distúrbio ou perturbação da ordem e atípica logicamente, pois fila demorada é sempre sinônimo de confusão. Após este susto ao entrarmos no Theatro Pedro II pela entrada lateral; afinal ser jornalista tem também lá suas benesses; para participar da última atividade da 14ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto; a Apresentação da Bachiana Filarmônica SESI-SP. sob a regência do Grande Maestro João Carlos Martins. Veio-me como um filme as lembranças vividas durante o período da feira.

Eu vi um grupo da Terceira Idade que esteve no palco de um teatro para discutir a Saúde e como ter qualidade nesta fase da vida. Para os que ainda não chegaram lá, parece uma bobeira, contudo é um grande problema o tempo curto que tem o semáforo nas grandes avenidas. “nós andamos devagar e precisamos de um tempo maior para atravessar com segurança” falava um idoso para a plateia.14_feira_do_livro_2014_18

Eu vi uma cena nunca vista antes. Um grupo de Índios falando em Guarani Kaiowá e um interprete traduzindo para o português as suas angustias e tristezas de viver próximo de um povo dito civilizado, ou seja, nós.

Deste teatro saíram ideias, saíram reflexões, saíram daqui bouquet de palavras que fizeram de Ribeirão Preto a primeira grande mesa para debater esta grande nação que ainda esta deitada em berço expendido.Eu vi as questões sobre sexualidade sendo apresentadas e  sendo pedido “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”  o mesmo do ideal da Revolução Francesa. O fim de atitudes de homofobia.

Presenciei As Mulheres, os Negros, os Ambientalistas, os Índios, Os portadores de deficiências, os LGBT, entrando neste teatro apresentando com sujeito e protagonista; logo ouço em mim a música Anunciação do Alceu Valença quando ele fala “Tu vens, tu vens Eu já escuto os teus sinais”.

Se é fato ocorrido que o grande Renascentista Michelangelo ao terminar a escultura de David bateu em 14_feira_do_livro_2014_4seu joelho e disse “Fala!”

Se também é acontecido que Moises recebeu no Monte Sinai a grande missão “Escreve!”

Também é verdade inquestionável, porque eu e meus contemporâneos ouvimos quando Ribeirão Preto falou para o Brasil “Lê!”.

Quem lê realiza o que Deus pediu, porque é a leitura nos une todos entre as diversas civilizações. A leitura é a temporal e sem leitura não temos história.

Eu assisti, como se estivesse no Proscênio de um teatro, um grupo de alunos de um quarto ano do ensino fundamentallendo já na rua tirando afoitos os plásticos dos livros comprados momentos antes e ali perto um pai com uma filha conversando “Deixa o papai pagar e colocar a sua senha” e a menina com altivez “Não papai a senha do cartão livro é pessoal eu é que pago” Eu então passo acreditar que estamos vivenciando uma nova transformação.

A 14ª Feira Nacional do Livro mexeu com as pessoas, cada acontecimento promovido por ela encheu o ambiente de humanização, de alegria, com uma lição de cidadania e civilidade.

Sou grato ao nosso Criador por ter me permitido participar desta história, desta festa cívica e civilizatória, ética e esteticamente levada para todos os rincões do nosso Brasil.

Richard Corrigan, escritor Irlandês falou certa vez que “Pessoas sábias falam sobre ideias,

 

Pessoas comuns falam sobre coisas, Pessoas medíocres falam sobre pessoas”.  Ao termo desta edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto ouviremos muito menos pessoas falarem sobre pessoas.

14_feira_do_livro_2014_23

Para terminar; Conversando eu com o Maestro João Carlos Martins um pouco antes de sua magnífica apresentação ele falou-me uma frase de Vila Lobos “Não é um público inculto que vai julgar as artes, são as artes que mostram a cultura de um povo”.

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *