Pesquisa desenvolve embalagens anatômicas para frutas

Reportagem: Aline Bastos – Repórter da EMBRAPA

Foto: Aline Bastos / Divulgação / EMBRAPA
Foto: Aline Bastos / Divulgação / EMBRAPA

Feitas de poliuretano e fibras vegetais, embalagens para frutas que acompanham o formato de seu conteúdo são capazes de evitar lesões de transporte e a consequente perda do produto. Desenvolvidas em parceria de pesquisa entre diferentes instituições, as novas embalagens deverão estar disponíveis no mercado até o fim deste ano.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), cerca de um terço da produção de alimentos no mundo é perdido na distribuição ou desperdiçado no consumo. Mais da metade dessas perdas e desperdícios ocorrem na manipulação, armazenamento e comercialização. O desenvolvimento de embalagens anatômicas para frutas foi uma das estratégias estudadas por uma equipe de 30 pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e Instituto de Macromoléculas (IMA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para reduzir esses dados. As novas embalagens geram menor impacto mecânico, manutenção da qualidade sensorial e aumento da vida útil das frutas. A tecnologia genuinamente brasileira já rendeu 39 patentes obtidas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e recebeu o prêmio Food Packing Design (2013) na Alemanha.

As embalagens foram projetadas para atender inicialmente algumas frutas. “Escolhemos produtos com significativo volume de venda nacional e internacional como manga e mamão, e também aqueles com importância econômica para o Estado do Rio de Janeiro, como caqui e morango”, informou Antonio Gomes, pesquisador da Embrapa e um dos líderes do projeto. Essas frutas de diferentes formatos e tamanhos passaram por escaneamento 3D (tridimensional) no Instituto Nacional de Tecnologia. A partir desse trabalho, foram desenhados e elaborados modelos físicos em poliuretano expandido adicionado de fibras vegetais, considerando os formatos e os vários tamanhos dos frutos, de modo a facilitar o transporte, manuseio e exposição.

 

“Os modelos de embalagens permitem que esses frutos possam ser mais bem acomodados em bandejas, cujas cavidades foram especialmente desenhadas, o que reduz a ocorrência de injúrias mecânicas. Além disso, o design desse sistema de embalagens permite que ocorra maior ventilação dos frutos, promovendo a troca de gases com o ambiente, retardando seu amadurecimento e aumentando sua vida útil”, informa Gil Brito, da Divisão de Desenho Industrial do INT. As embalagens de manga e mamão, que são anatômicas, possuem duas partes: uma termoformada e outra termoinjetada articulada, que pode ser fechada para ocupar menos espaço durante o transporte de retorno para o produtor. O desenho das embalagens levou em consideração o padrão internacional de pallets para transporte de cargas nacional e internacional. Termoformada é uma peça moldada por ação do calor, a termoinjetada é confeccionada por injeção de resina líquida em alta temperatura em um molde.

 

Fonte: EMBRAPA

Instituto Nacional de Tecnologia – INT – Com nichos do formato do conteúdo, embalagens protegem frutas de choques

 

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